Depoimento: Os cupcakes salvaram minha casa

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O texto abaixo é uma tradução/resumo/adaptação livre. É o depoimento de Antonia Kime, que conseguiu se livrar das dívidas vendendo cupcakes no Reino Unido. O artigo original é de um tempo atrás, mas com a crise pela qual o Brasil vem passando está bem atual para gente.

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Meu joalheiro me olhou com pena e perguntou se eu tinha certeza do que queria fazer. Olhei para o meu Rolex e anel de noivado na palma da minha mão.

O relógio havia sido o primeiro presente sério dado a mim pelo meu marido; os 3 diamantes de um quilate nunca haviam deixado minha mão em 12 anos de casamento.

“Não tenho escolha”, disse antes de entregá-los. Eu sabia que em cima da nossa mesa chique da cozinha – junto com inúmeras contas vencidas – estava um ordem de reintegração de posse.

Depois de meses de sufoco financeiro, nossa perfeito lar de 12 anos em Bury St Edmunds, Suffolk, uma casa que nós mesmos havíamos construídos, estava para ser tirada de nós.

Eu tinha apenas uma escolha: lutar. Peguei o dinheiro do meu joalheiro e um amigo me levou para vendermos nosso carro.

Estava na garagem há meses, já que eu não conseguia pagar pelos reparos. Depois, fui a uma loja, onde gastei 100 libras em depósitos, farinha, ovos, coberturas e fitas. Pareceu uma fortuna.

Naquela tarde, fui para casa e assei 1.000 cupcakes: de morango, de chocolate, de coco, todos decorados com coberturas perfeitas e enfeites de botões de rosa. Eu os levei por vários lugares, pontos comerciais e cafés.

Eles iam solucionar a nossa crise – estava certa disto.

Há apenas um ano atrás, tínhamos tudo. O negócio do meu marido de cozinhas sob medida e construção significava que eu não precisava trabalhar e meus filhos – Harry, 16, Olivia, 10, Madeline, 8 e Matilde, 6 – estavam todos em escolas particulares e caras.

Tínhamos Volvos na garagem, cozinheiros e empregados cuidando da nossa casa de cinco quartos de 500 mil libras.

Passava meus dias no Cafe Nero, fofocando com outras donas de casa. À tarde, ia comprar bolsas e jeans de marcas famosas. Não pensava duas vezes antes de gastar 800 libras por compra. Como uma mãe que fica em casa de 33 anos, as aparências importam.

Meu marido tinha um salário de 6 dígitos e o financiamento da casa era mínimo. O que poderia dar errado?

Então, em janeiro do ano passado foi como se alguém desligasse a torneira. Primeiro chegou uma conta gigante do imposto de renda, que levou embora nossas economias. Não entramos em pânico. Bastava um serviço chegar – as cozinhas do Hugh chegavam a custar até 15 mil libras – e estaríamos em pé novamente.

Mas nenhum serviço chegou. A recessão estava forte e a última coisa na cabeça das pessoas era uma cozinha cara.

O único dinheiro entrando era 240 libras por mês de auxílio infantil. Eu o usava para comprar nossa comida, comprando com descontos em promoções no fim do dia.

Em fevereiro, atrasamos o primeiro pagamento do financiamento da casa. Pagamentos que estava em débito automático começaram a falhar. Os telefonemas e as cartas começaram. O banco foi compreensivo no início, mas depois de 3 meses as coisas complicaram.

Em alguns dias, até evitávamos pegar o telefone, as cartas iam direto para dentro da gaveta. Sabíamos o que elas continham – o problema era como resolver isso.

Hugh estava fazendo tudo que podia, pegando qualquer serviço e baixando seus preços, mas não era o suficiente.

Não podíamos vender a casa pois não conseguiríamos outro financiamento.

Para quem estava de fora, parecia que nada estava errado – ainda tínhamos a casa e o carro – mas paramos de sair. Eu não conseguia pagar nem 2,50 por um café.

Hugh, 49 anos, sentiu a pressão da responsabilidade financeira e começamos a brigar, até que uma noite ele se virou para mim e disse: “Temos que parar de brigar um com o outro e lutar contra contra todo mundo”.

Ele estava certo. Tentamos manter as crianças fora disso tanto quanto podíamos. Quando nos pediam brinquedos novos, explicávamos que todo o mundo estava com dificuldades com dinheiro.

Mas mesmo que não quiséssemos que isso refletisse neles, não havia como evitar. Escrevi uma carta para e escola explicando que não poderíamos pagar as taxas do ano seguinte.

Foi um dos dias mais tristes da minha vida. Eles estavam indo tão bem e eu odiava a ideia de eles terem que dizer adeus aos amigos.

Nossa casa estava sendo tomada pelo banco. Você nunca sabe como vai reagir em ocasiões com esta. Eu estava determinada a não resistir sem lutar antes.

Por cinco meses, tudo que eu fazia era assar. Era minha válvula de escape. Todos diziam que eu deveria vendê-los, mas foi somente quando não tinha mais nenhuma outra opção é que decidi fazer isto.

Usando o cheque do auxílio infantil dos meus filhos, paguei 40 libras por um estande em uma feita e assei 500 cupcakes, esperando vender pelo menos metade deles.

O sucesso foi tão grande que fizemos 800 libras com as vendas. Todos perguntavam por um cartão e eu escrevia meu telefone em guardanapos.

Um cliente perguntou se eu poderia fazer 1.000 cupcakes para o baile da universidade de Cambridge. Depois disso, ninguém podia me parar.

Aquelas vendas iniciais, combinadas com um empréstimo da minha mãe, foram suficientes para fechar um acordo com o banco quando estávamos, literalmente, a 3 horas de ir a julgamento.

Isto me deu coragem para escrever para a escola pedindo que nos dessem mais tempo e eles gentilmente concordaram.

Vendi minhas jóias para pegar meu carro da oficina – que precisava de 5 mil libras em reparos. Gastei o dinheiro que sobrou em cartões de visitas, chamando meu negócio de Queen of Cupcakes (rainha dos cupcakes) e fiz um website.

Visitava cafés e lojas, seis destes lugares concordaram em vender meus cupcakes. De outubro a dezembro, eu estava em feiras todos os fins de semana, vendendo até 1.200 cupcakes por fim de semana.

Nestes três meses, fiz 14 mil libras. Agora faço entre 5 e 6 mil cupcakes toda semana e os vendo para todo o país. Também estou pensando em contratar funcionários.

Hugh não se preocupa mais em ser o único responsável pelo ganha-pão e meus filhos perceberam que mamãe faz muito mais que lavar roupas.

Não sinto falta da minha antiga vida. Era vazia. Havia vezes em que estava em uma mesa de um café pensando “Sou melhor que isto”. E agora eu sei que sou.

Este artigo serve para mostrar que, não importa a classe ou posição social, uma crise financeira pode chegar para qualquer um. E o ramo de comida tem a tendência a continuar funcionando em tempos de crise. Todo mundo tem que comer, não é?

Não importa se é cupcake, cake pop, sopa ou salgadinho. O fato é que você pode fazer comida para sair do buraco, complementar a sua renda ou montar seu negócio. Aqui no blog tem bastante dica de como montar seu negócio, tem os cursos recomendados, dicas de onde comprar, downloads úteis, no Cozinha do Quintal também tem.

Então, mãos à obra.

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18 COMENTÁRIOS

  1. Nossa Angel, que ânimo ver esse post! Me vejo nessa situação hoje. Com a crise, muitas empresas deixaram de fechar contratos com meu marido que comercializa um software de produção nas indústrias. E as indústrias estão produzindo por acaso? Sou professora e quando não estou na escola, estou fazendo cupcakes. Estou tendo vários pedidos pra festa e tbm lá na escola! É o que tem nos salvado! Sou grata pelas dicas do seu blog, me ajudam muito!
    Super beijo!

  2. É bem complicado….mas dá licença desabafar….ela ainda teve o que vender e eu que não tenho nada a não ser fé e força de vontade pois muitas vezes deixo de comer para atender meu filho e se sobra compro alguns ingredientes…é…e continuo na luta , desistir nunca ! bjs

    • Priscila, sei exatamente do que você está falando. Ela tinha meios, conhecimento, família e amigos para poder contar. Nem todo mundo tem Rolex ou anel de diamantes para penhorar.
      Mas o fato é que tempos ruins chegam para todo mundo. O que fazemos quando estamos diante deles é que nos definem.
      Se precisar de ajuda, manda email ok?

      • A situação aqui em casa também está difícil. Tive que tirar da cesta básica desse mês para começar a fazer cupcakes. Fiz o de baunilha do Buddy que você disponibilizou aqui, Angel, e tentei fazer um de chocolate também, só que fiz duas receitas e perdi as duas. Ainda não sei em que errei… Ai decidi fazer a receita do Buddy só que trocando 1/4 de farinha de trigo por chocolate 32%. Ficaram show! Presenteei alguns para meus vizinhos com um cartão de visitas que eu mesma fiz e levei para a dona de um mercadinho perto daqui de casa para ver se podemos fazer parceria. Mas agora o dindin terminou e estou tentando ver se consigo alguma encomenda para continuar… Agradeço de coração toda ajuda que tens disponibilizado. Deus te abençoe!

    • Priscila, não desanime; na TV sempre aparecem histórias de pessoas que saíram de situações extremas com esforço, determinação e fé. Ontem mesmo eu vi a moça da empadinha. Tente tudo, use as redes sociais, peça a Deus uma força. Por seus filhos, por você mesma, não desista! Um beijo.

  3. Maravilhoso esse post! A vida n é fácil, todos temos problemas, o importante é não desanimar! Amei! Era justamente o q eu precisava ler hoje e sempre! ?

  4. Nem sei se meu comentário vai entrar, pelo limite, decorrente do sorteio. Esse tipo de história me fascina, pois estou passando por uma situação bem complicada no campo profissional. Buscando formas de sair de várias crises financeiras e esse relato me inspirou muito a tentar esse recurso. Tenho lido o blog e estou interessada em investir nesse ramo. Grata mesma pelo incentivo de vocês, e pelos casos de pessoas que conseguiram superar dificuldades. Vamos lá – força.

  5. Essas historias reais nos motivam a nao desistir nunca, com a crise muitas pessoas cortam os gastos, mesmo sendo comida, ainda mais doce, mas nao há motivo pra desanimo nem desistência.Deus esta conosco e é isso q importa.Obrigada por se preocupar em sempre motivar.

  6. Amei o depoimento.Isso mostra que temos que lutar com o que temos.
    Se não temos como fazer 1000 cupcaks. vamos fazer 50…. e depois faremos 80… e vamos aumentando os números…
    Enfim, vamos começar e vamos conseguir.
    Somos fortes, somos valentes… podemos fazer!

  7. linda a história ,o importante é não desisti, confiar perseverar e a creditar que vamos conseguir ,bom incentivo para mim que estou começando agora. tchal

  8. Essa matéria me deu ânimo, me deixou mais feliz e mais forte. Amo cupcakes, e passo por uma situação um pouco pior, pois meu marido está desempregado à 5 meses, mas tenho certeza que vou conseguir, gratidão por me ajudar bjs

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